HISTÓRIA DA DIOCESE BOM JESUS DA LAPA

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A Diocese de Bom Jesus da Lapa foi criada pela Bula Pontifícia “Christi Eclésia” de 21 de julho de 1962 e instalada no dia 16 de fevereiro de 1963. Para efeitos civis, ela é regulada pelas disposições contidas no Estatuto, sob a denominação de Mitra Diocesana de Bom Jesus da Lapa.

Foi seu primeiro Bispo Diocesano D. José Nicomedes Grossi, padre da Arquidiocese de Mariana, que governou a diocese por 27 anos. Iniciou a organização da Diocese, enfrentando os grandes desafios dos inícios e da implantação de uma nova circunscrição eclesial. Faleceu em junho de 2009. Foi seu Bispo Coadjuntor, por dois anos (1986 a 1988), D. João Nilton dos Santos Souza.

O segundo Bispo Diocesano foi Dom Francisco Batistela (1990-2009), religioso da Congregação do Santíssimo Redentor. Governou a Diocese por 19 anos, dando sua contribuição no crescimento e desenvolvimento dos trabalhos evangelizadores e pastorais. Faleceu em outubro de 2010.

O terceiro Bispo Diocesano, Dom José Valmor César Teixeira, Salesiano de Dom Bosco, iniciou seu trabalho pastoral na diocese em abril de 2009, dando continuidade aos esforços realizados pelos agentes de pastoral, bispos, padres, religiosos, religiosas e leigos(as), que construíram a Diocese nestes anos todos. Foi transferido para diocese de São José dos Campos, tomando posse em 17 de abril de 2014. Ficou cinco anos na Diocese de Bom Jesus da Lapa.

Em 21 de maio de 2014 toma posse como Bispo Administrador Apostólico, Dom Josafá  Menezes da Silva, Bispo Diocesano da Diocese de  Barreiras, BA, até a tomada de posse do quarto bispo da Diocese, Dom João Santos Cardoso, em 25/setembro/2015.

A Diocese conta com 18 Paróquias e o Santuário do Bom Jesus da Lapa. Pertence ao grupo de dioceses que formam o regional NE3 da CNBB, faz parte da Província Eclesiástica de Vitória da Conquista e da Sub Região Oeste do Regional NE 3.

Localização geográfica e contexto socioeconômico da Diocese

A Diocese de Bom Jesus da Lapa compreende 15 municípios do Sudoeste e do Oeste da Bahia, fazendo fronteira com os estados de Goiás e Minas Gerais, ocupa um território de 56.880,43 Km2 e tem uma população de 376.715 habitantes.

A atividade econômica principal da região é a agricultura familiar e a pecuária de grande extensão. Nos últimos anos, em 03 municípios da Diocese, tem avançado o agronegócio, assentado na agricultura extensiva de alta tecnologia e irrigada, destinada à produção de grãos.

ORGANIZAÇÃO PASTORAL

Pastoralmente, a Diocese está organizada em 5 Foranias, 18 paróquias e 748 pequenas comunidades eclesiais (688 rurais e 60 urbanas), além de contar com vários organismos de pastoral (criança, juventude, família, comunicação, dízimo, missão, pastoral da terra e ambiental, movimentos leigos).

Como protagonistas da evangelização, a Diocese conta com 14 padres diocesanos, 14 padres de 2 Congregações religiosas, 04 padres em colaboração missionária; 22 religiosas de 5 Congregações distribuídas em 07 comunidades de inserção; 15 seminaristas e várias lideranças e missionários leigos e leigas envolvidos na missão.

Das 18 paróquias que compõem a Diocese, 11 são administradas por padres diocesanos, 4 por padres em colaboração missionária e 3 confiadas a Congregações Religiosas.

Congregações Masculinas presentes na diocese:

-01.  Congregação da Missão – Paróquia de São José Operário em Serra do Ramalho.

-02.  Missionários Redentoristas da Bahia – Paróquia de Bom Jesus da Lapa, Paróquia São João Batista e Santuário em Bom Jesus da Lapa.

 

Congregações Femininas presentes na diocese

  1. Filhas de São Vicente de Paulo – Abrigo dos Pobres – Bom .Jesus da Lapa
  2. Filhas de Nossa Senhora de Fátima – Correntina e Paróquia de Santana (Sede Geral)
  3. Franciscanas Alcantarinas – Paróquia São José Operário em Serra do Ramalho
  4. Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã- Paróquia São José em Carinhanha
  5. Mensageiras do Amor Divino – Santuário do Bom Jesus da Lapa

Caminhada pastoral

Desde o período da instalação da diocese até o ano de 1974, a missão é marcada pela administração dos Sacramentos e pelas desobrigas. Dom Grossi busca incansavelmente recursos materiais e humanos a fim de dotar a nova diocese da devida infra-estrutura institucional. Para o grande pastoreio e assistência espiritual aos fieis, o bispo contava apenas com três Padres Diocesanos e três Redentoristas da vice Província Holandesa do Recife.

Ao completar 10 anos de pastoreio de Dom Grossi, inspirada pelo Concilio Vaticano II e estimulada por Medellín, vai ganhando corpo a eclesiologia de comunhão e participação e o protagonismo dos leigos na evangelização. Em Janeiro de 1974, ocorre o Encontro dos Agentes de Pastorais da Diocese e a elaboração do primeiro plano de pastoral. Nesse mesmo ano, se instala na Diocese uma equipe mista de missionários Italianos, que assumem o plano de pastoral e articulam as forças diocesanas na direção de uma pastoral profética e transformadora, incentivando a criação das Pastorais sociais (CPT, Saúde e PJMP).

Já muito cansado e doente, Dom Grossi solicitou ao Papa um bispo coadjutor. Em 1986, Dom João Nilton dos Santos Souza foi nomeado bispo coadjuntor, permanecendo por 2 anos na diocese. Assim que Dom João Nilton foi transferido como bispo diocesano de Amargosa, Dom Grossi decidiu renunciar, uma vez que tinha completado 75 anos.

Com a celebração dos 25 anos de Diocese, em 1988, começou a nascer a ideia de uma grande avaliação da caminhada pastoral diocesana, que se concretizou na Assembleia Diocesana de 1990, com a presença do novo bispo, D. Francisco Batistela. Com a ajuda de assessores do ISER, foi realizada uma grande avaliação da ação pastoral, que resultou na elaboração da primeira Diretriz Pastoral Diocesana, publicada em 1994.

A partir de 1992, começa a surgir novas opções pastorais num clima de muitas expectativas, tensões, adaptações e busca de renovação. Nesse período, inúmeros agentes de pastorais, padres e religiosas chegaram à Diocese para colaborar no projeto de evangelização. Houve várias ordenações de padres diocesanos, missões populares e jovens. Com o despertar de novas lideranças, surgiu a necessidade de oferecer uma formação mais sistematizada aos fieis leigos levando à criação da Escola Diocesana de Teologia.

Em 2003, a celebração dos 40 anos da Diocese contribui para o revigoramento da missão evangelizadora e profética da Igreja Diocesana. Em fidelidade à evangélica opção pelos pobres, reforça-se o compromisso evangelizador com as vitimas das novas formas de exclusão, a defesa dos Direitos Humanos; o incentivo para a vivência em Comunidades Eclesiais de Base  e a realização de santas missões populares.

Em 2006, Dom Batistela publicou o documento com as normas diocesanas para a pastoral, a administração e os sacramentos, com o título VIDA PASTORAL E DIRETRIZES GERAIS (2006-2009).  Foram definidos quatro macros objetivos para a ação pastoral: (1) formação permanente; (2) auto sustentação; (3) animação juvenil, vocacional e missionária; (4) ação sócio-política. Dom Cesar sistematizou os 4 macros objetivos da pastoral com a elaboração de 14 projetos para o Plano de Pastoral Diocesano (2011-2015)..

Na Assembleia Pastoral Diocesana de 2015, foram elaboradas as Diretrizes da Pastoral Diocesana para o quadriênio 2016-2019. As prioridades e os macros objetivos com seus respectivos projetos pastorais foram enriquecidos à luz das urgências da evangelização das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019 (DGAE 2015-2019).

Foram assumidas as cinco urgências da evangelização indicadas pelas DGAE 2015-2019: (1) Igreja em Estado Permanente de Missão; (2) Igreja: casa da iniciação à vida cristã; (3) Igreja: lugar da animação bíblica da vida e da pastoral; (4) Igreja: comunidade de comunidades; (5) Igreja a serviço da vida plena para todos.

Para cada uma dessas urgências foi elaborado um projeto de pastoral a ser executado durante o quadriênio (2016-2019): (1) Organizar a articulação do Setor Jovens na Diocese;  (2) Organizar e dinamizar a pastoral de iniciação à vida cristã; (3) Formação bíblica, litúrgica e catequética do laicato; (4) Organizar o Plano de investimento diocesano e paroquial e fortalecimento do Dízimo; (5) Assumir a questão ambiental, tendo como marco teológico a Laudato Sí.

Santuário do Bom Jesus da Lapa

O Santuário do Bom Jesus da Lapa é uma Gruta localizada no interior de um Morro constituído por uma formação rochosa situada às margens do Rio Francisco.

De longe, vê-se um imponente maciço de calcário de 90m de altura, recortado em galerias e grutas. De cor negra, o penhasco carrega em si a vegetação comum da região castigada pela seca. O morro parece um retalho de montanha calcária, isolado no meio de uma planície, com a base quase dentro da água e a margem coroada de cactos, bromélias de espinhos e minaretes de formas diversas. Nele se encontram várias grutas: a do Bom Jesus com 50m de comprimento, 15m de largura e 7m de altura; a da Soledade, maior em extensão (1000m²) e, além dessas, para admiração dos romeiros e visitantes, existem outras lindas grutas menores.

A Gruta do Morro, que deu origem ao Santuário do Bom Jesus da Lapa, foi descoberta em 1691 pelo português Francisco Mendonça Mar, que exercia, como seu pai, a profissão de ourives e pintor. Com vinte e poucos anos de idade, em 1679, chegou a Salvador da Bahia, onde instalou sua própria oficina. Em 1688, foi encarregado de pintar o palácio do Governador Geral do Brasil, em Salvador, mas, ao invés de receber o pagamento, Francisco foi levado à cadeia e cruelmente açoitado.

Tocado pela divina graça, reconhecendo a vaidade do mundo, ele aprendeu que a única coisa que vale é a salvação. Distribuindo seus bens, fez-se pobre e, acompanhado de uma imagem do Cristo crucificado, enveredou-se pelo sertão adentro, de Salvador às margens do Rio São Francisco no oeste do Estado da Bahia.

Depois de vários meses de incessante caminhada, avistou um morro, subiu uma áspera ladeira e, por uma abertura na pedra, penetrou numa gruta. Lá dentro, encontrou uma cavidade ideal para colocar a cruz que levava. Ali, à margem do rio São Francisco, começou uma vida de eremita.

Dedicado à oração e à penitência, o monge logo percebeu que o amor a Deus não pode ser isolado da vida; então começou a trabalhar em favor dos mais necessitados, trazendo para junto de si pobres, doentes, infelizes e aleijados, a fim de servi-los com amor.

Por solicitação do arcebispo da Bahia, Dom Sebastião Monteiro de Vide, em 1702, o monge foi a Salvador para se preparar ao sacerdócio. Estudou durante três anos e, em 1705, foi ordenado padre, tomando o nome de Padre Francisco da Soledade. Após a ordenação, voltou à Bom Jesus da Lapa onde viveu até sua morte, em 1722.

A gruta, onde o “monge da Lapa” colocou a Cruz, tornou-se o Santuário do Bom Jesus da Lapa. Ele é “mais do que uma cavidade na pedra: é um santuário construído pela mão da natureza e escolhido por Deus”. Diante da imagem do Crucificado, ajoelham-se os romeiros de todas as idades, vindos de diferentes lugares do Brasil. Eles trazem consigo um coração penitente, uma oração fervorosa de palavras simples que brotam espontaneamente. No altar do Bom Jesus, podemos ouvi-los balbuciando preces; outros, em voz alta, fazem seus pedidos e agradecimentos; outros misturam palavras com lágrimas e pagam promessas, deixando ex-votos, como fotos, cartas, muletas, etc. Um grande número de romeiros, principalmente da região sul do Estado da Bahia, vem caracterizado com um chapéu de palha revestido de tecido branco e de uma fita verde, simbolizando a esperança e paz cultivadas em seus corações.

A devoção ao Bom Jesus da Lapa é bem anterior a do Bom Jesus do Bonfim da Bahia, de Salvador, visto que o citado fundador chegou à Lapa em 1691 e a devoção na Baía de Todos os Santos, tem sua origem em 1740 com a construção da Igreja do Bom Jesus do Bonfim.

Infelizmente um incêndio ocorrido na Gruta do Bom Jesus, no ano de 1903, consumiu a imagem original, trazida por padre Francisco da Soledade, restando apenas alguns carvões e as partes metálicas da Cruz. Mas, em julho daquele mesmo ano, o arcebispo de Salvador, Dom Jerônimo Tomé da Silva, mandou fazer uma escultura idêntica a que se tinha consumido no fogo, e autorizou a sua entronização na gruta, no lugar da imagem trazida pelo Monge, a qual se mantém no Santuário atualmente. A “nova” imagem, em maio de 2013, recebeu um novo suporte com uma pequena gaveta, onde foram depositados os carvões da antiga imagem, até então conservados num antiquário separado.

A imagem de Nossa Senhora da Soledade, também, foi consumida pelo dito incêndio e seu culto só foi restaurado, totalmente, no ano de 1952, quando monsenhor Turíbio Vilanova Segura, mandou fazer, no Rio de Janeiro, uma escultura da santa, de tamanho natural, a qual se conserva na Gruta da Soledade e sai em procissão no dia da festa, em 15 de setembro.

As Romarias

No Santuário e na cidade de Bom Jesus da Lapa, o movimento se intensifica a partir do inicio do mês de julho e se estende até metade do mês novembro. O movimento religioso com grande afluxo de peregrinos se abre no primeiro final de semana de julho com A ROMARIA DA TERRA.

A inspiração da Romaria da Terra, uma das primeiras do Brasil, surgiu em 1977 com a peregrinação, de caminhão e a pé, ao Santuário do Bom Jesus, realizada por 120 camponeses da Diocese de Ruy Barbosa. Essa peregrinação foi um apelo ao Bom Jesus, depois de esgotados todos os recursos disponíveis para defender suas posses de terra de grileiros que contavam com a omissão ou conivência do Estado.

Essa Romaria inspirou a 1ª Missão da Terra e representou o diálogo do Santuário com a tradição popular e camponesa, com o lema: “Um olhar na Lapa do Bom Jesus vê um pedacinho do céu, muitos olhares juntos veem céus e terra e inteiros”.

Posteriormente, a questão ecológica ganha relevo e entra na motivação da Romaria da Terra, que passa a ser chamada ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS.

No dia 06 de agosto ocorre a festa do Bom Jesus. A preparação da festa se dá através de um novenário reunindo milhares de fieis e peregrinos vindos de diversas partes do Brasil. No dia da festa principal, 06 de agosto, apesar da pouca infraestrutura, a cidade recebe entre 300 a 400 mil pessoas. No dia 15 de setembro, ocorre a festa de Nossa Senhora da Soledade, precedida por sete dias de intensa preparação religiosa. É a segunda maior romaria.

Pelo Santuário passam cerca de dois milhões de pessoas por ano. Conforme os dados da Central de Informações do Santuário de 2003, os romeiros que visitam o Santuário vêm de 18 estados do Brasil: Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantis.

Entre os estados, por ordem de número de caravanas, se destacam: 1) Bahia, 2) Minas Gerais, 3) Espírito Santo, 4) São Paulo e 5) Goiás. Em maior ou menor proporção, todos se encontram aos pés das imagens do Bom Jesus da Lapa e da Mãe da Soledade, na igreja de pedra e luz, em Bom Jesus da Lapa (BA).

 

Catedral de Nossa Senhora do Carmo

No dia 28 de dezembro de 2003, junto com a criação da nova Paróquia de Bom Jesus da Lapa deu-se início aos trabalhos de construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo.

No dia 27 de janeiro de 2004, foi realizada a primeira Assembleia Paroquial na qual foi aprovado o pré-projeto da nova Catedral.

No dia 01 de março de 2004, iniciaram os primeiros trabalhos da Catedral. E no dia 16 de julho de 2004, foi realizada a solene celebração da benção da pedra fundamental.

 

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