No Dia Nacional do Velho Chico, Bispo de Bom Jesus da Lapa chama a atenção para a importância do Cerrado e da revitalização do rio São Francisco

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Dom João navegando pelo Rio São Francisco( foto: José Hélio)

O Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco é nesta quarta-feira, 3 de junho, e todo os anos o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) realiza a campanha “Eu viro carranca para defender o Velho Chico”, que tem seu ápice nesta data.

O tema é “Viva o Velho Chico!”. Apesar de um rio cheio devido às fortes chuvas corridas no final de 2019 e no início deste, ainda tem que enfrentar o desafio da pandemia do coronavírus. Na situação atual, falar sobre a preservação e cuidado com o Rio São Francisco serve como ponto de partida para um diálogo sobre a vida e a saúde das pessoas.

Em mensagem divulgada pela Cúria Diocesana de Bom Jesus da Lapa, o Bispo Dom João Cardoso, chamou a atenção para a importância da data, que tem o “objetivo alertar para a necessidade de revitalização do São Francisco, conscientizando a população sobre a preservando e mobilizando todas as pessoas de boa vontade pelo uso responsável dos seus recursos”.

O religioso lembra, que em 04 de outubro de 1501, dia de São Francisco, os navegadores da expedição de reconhecimento da costa brasileira chegaram a um grande rio, que os indígenas o chamava de “Opará”, que quer dizer dizer “rio mar”, citando a Cartilha Ecológica do Rio São Francisco. “Segundo o costume, os navegadores lhe deram o nome de santo do dia: São Francisco. Tal como o Santo que lhe dera o nome, esse Rio tornou-se provedor de vida de 16 milhões de pessoas, que habitam em sua Bacia, em 521 municípios (9,3% do total do país), onde 97 destes situam-se às margens de sua calha principal”, pontuou.

“Nascendo em Minas Gerais, o Rio Francisco percorre 2.863 km entre sua nascente geográfica e a foz no Oceano Atlântico, levando água e vida, principalmente, para o semiárido nordestino e suas caatingas, irrigando sete unidades da Federação (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e o Distrito Federal). É o maior rio inteiramente brasileiro e historicamente o mais importante”, disse.

Dom João destacou, que o São Francisco é um rio do Cerrado. Já que do Cerrado provém mais de 80% das águas da Bacia do Rio São Francisco. “Sem a Cerrado não há Rio São Francisco, coma não haveria Rio Tocantins, Rio Araguaia, Rio Parana, ou qualquer outro rio que dependa dos Aquíferos do Cerrado para existir. Sua Bacia Hidrográfica compreende toda a área drenada par ele e seus afluentes, aproximadamente 639 mil km², ocupando 7,5% do território nacional. São 1.608 afluentes, veias capilares que alimentam suas águas, dos quais 99 são perenes, os demais afluentes são temporários” cintando como fonte a Cartilha Ecológica do Rio São Francisco.

O religioso frisou, que ainda convivemos com um rio maravilhoso. Entretanto, o desaparecimento crescente de suas nascentes e de seus subafluentes e a perda da capacidade de armazenamento dos aquíferos do Cerrado têm enfraquecido os afluentes que alimentam e dão vida ao Rio São Francisco. “Estudos do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR) dos Estados Unidos, concluirão que o Rio São Francisco perdeu mais de um terço de sua vazão (35%) ao Longo de 56 anos entre 1948 e 2004, tornando-se um dos grandes rios mais degradados do mundo”, citou.

“A Natureza tem grande capacidade de restauração. Tudo o que fazemos em seu beneficio ela responde satisfatoriamente. Se realmente investirmos na revitalização efetiva do São Francisco, ele vivera e. com ale, a vida do povo do Rio”.

“Nos. os seres humanos, não somas meramente beneficiados, mas guardiões das outras criaturas” (PAPA FRANCISCO. Evangelii Gaudium. 215). É tempo de cuidar do São Francisco e de nossa casa comum a partir de uma ecologia integral e humana, respeitando os bens da terra, combatendo as causas estruturais da degradação ambiental que se encontram na raiz de tantos males sociais. 08 – “Deus deu-nos de presente um exuberante jardim, mas estamos transformando-o numa poluída vastidão de «ruinas. desertos e lixo»” (PAPA FRANCISCO. Carta Enc. Laudato si, n.161). E nosso dever moral usar de misericórdia para com a nossa casa comum, cuidando dos recursos naturais e do São Francisco. Cuidar nos responsabiliza com a Criação “que geme em dares de parto” (Ro 8, 22). Que assumamos um verdadeiro Projeto Revitalização do Rio São”, finalizou o Bispo de Bom Jesus da Lapa.

Dom João e moradores de comunidades ribeirinhas(Foto: Fernando Abreu)

No ano de 2018, os bispos católicos de dioceses que fazem parte da Bacia Hidrográfica do São Francisco se mobilizaram para auxiliar com ações visando reverter o cenário de degradação do rio, e representados pelo Bispo de Bom Jesus da Lapa, percorreu de barco todo percurso do rio São Francisco no município de Carinhanha.

 

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